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Pronuncia: Anderuson |
Quinta-feira, Fevereiro 26, 2004
Um dia eu vi um velho e uma criança na praia, quase o velho e o mar. Ou seria a criança e o mar? Já que não havia farol por perto não podia ser a ostra e o vento, mas o velho, a criança e o mar foram personagens de um deselance perfeito para o que eu estava pensando no momento: a culpa. Esta "coisa" com cinco letrinhas que monopoliza o guia de nossa vida e nossos atos. Estamos cercados de decisões que foram certificadas com a autorização da culpa. Não acredita? Vejamos. Se alguém quiser te beijar, o que guia (esse alguém) para fazer este ato além do desejo de realizar este feito? Foi uma inspiração de momento ou medo de não realizar naquele momento e se culpar por longos períodos (pior ainda se for na frente de conhecidos)? E se o beijo, viesse de forma espontâneae fosse dado no momento errado ou por uma pessoa do mesmo sexo que você, o que você sentiria? Poderia ser felicidade ou culpa, susto ou culpa, nada ou culpa também. Ou vejamos ainda, se você deseja muito alguém que não pode ser seu(sua) porque "pertence" à alguém que você gosta, bom, então como fazer para poder dormir bem? Muitos poderiam pensar: "Mas ninguém vai saber!". Ei, mas esse também não é um sentimento de culpa? Se ninguém vai saber, é porque é importante a opinião de outrém. Mesmo que você diga que não se importe com a opinião alheia, todos nós sabemos que você se importa sim. A culpa, como já disse anteriormente: 'esta "coisa" com cinco letrinhas que monopoliza o guia de nossa vida e nossos atos', deveria não ser tão importante mas é ela que direciona, que mantém o ritmo e evita o caos. Talvez não devesse ser assim, talvez devesse bem diferente, sem culpas, sem sentimentos de medo. Mas não é assim! É com ela que a religião educa, é com ela que as nações mantém as pessoas quietas na suas rotinas, é com ela que os amantes dirigem seus atos e prazeres (mesmo quando acham que são libertinos), é com elas que as famílias ditam suas regras internas e é aqui voltamos para os três personagens do início. A criança queria algo, ficar mais tempo no mar, mas o velho não quis deixar. A criança deu-lhe as costas e continuou a brincar, ato este que irrita o mais nobre do ser humano não paciente, o que levou o velho a tirar o brinquedo e levá-lo com ele. A criança saiu atrás do velho e fez sinal que iria machucá-lo, a pequerrucha fez sinal de agressão àquele idoso que talvez fosse seu pai ou avô, ao que ele apontou um dedo apenas para ela e para os céus. Olhou com olhos firmes, com se os olhos pudessem gerenciar aquela situação e fê-la entender que tudo aos céus se passava e ela seria castigada se realizasse a sua vontade momentânea. A criança parou, cruzou os braços, inchou as bochechas e seguiu ao lado do velho, quieta, muda. A culpa venceu.
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Pronuncia: Anderuson |
Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
Devo estar realmente fragilizado para me emocionar com qualquer coisa e este texto (abaixo) não é qualquer coisa, definitivamente não. São coisas que eu em meus vinte e tantos vejo em vocês com vinte e poucos e a diferença, nem a vivência é tão diferente assim. Mas os sonhos são os mesmo e as vidas no fundo são as mesmas, e acreditamos ideologicamnete, e como não poderia de ser, que podemos sim fazer diferença. Não podemos? Podemos? Não podemos.Podemos. Acho que a diferença pode ser feita com nossas ações e com nossas visões a partir de pessoas como "Carolinas", Sorayas, Cláudias, Rodrigos, Marias e Josés que acham que nada disso aconteceu e tudo ainda estar por vir. Que os errados foram os que não conseguiram porque foram incapazes e não porque somos humanos girando em torno de nossos interesses e o do próximo. Tentando separar conflitos e sonhos, achando que a possível a paz mundial. Confuso até aqui...? Confuso é entender nossa vivência tentando encontrar explicações para os atos acometidos no dia-a-dia por qualquer cidadão (partindo do princípio de que TODOS são cidadões).
Ok! Lá vamos nós com pressa pela mesma coisa pela enésima da enésima vez, e aí? O que vem depois? Conseguimos "conquistar com o braço forte" ou continuamos na mesma caminhada lenga-lenga da última vez? Na verdade andamos e sempre andaremos em círculos, acharemos que estamos descobrindo a pólvora e quando percebemos...pow...ela explode na sua mão e outro faz melhor. Seria motivo para desistir? Creio que não. Para os que estão ficando confusos vamos clarear a mente. Ou esclarecer o que nem estava registrado. Hoje foi meu útimo dia de aulas com uma professora específica minha e de uma sala inteira e porque seria específica? Bem, ela esteve presente nos nums piores momentos de minha vida, um dos mais frustante e um dos mais triste; Deu-me apoio na medida do possível através de sua própria disciplina, além do seu comportamente verdadeiramente humano. Mas ela terá que ir, e será substituída e eu me pergunto: Será sempre que ser assim?
É necessário que aja uma quebra de apego para que você possa seguir adiante? Fico com minhas dúvidas e com meus anseios. Guardo e aguardo.
Ok! Lá vamos nós com pressa pela mesma coisa pela enésima da enésima vez, e aí? O que vem depois? Conseguimos "conquistar com o braço forte" ou continuamos na mesma caminhada lenga-lenga da última vez? Na verdade andamos e sempre andaremos em círculos, acharemos que estamos descobrindo a pólvora e quando percebemos...pow...ela explode na sua mão e outro faz melhor. Seria motivo para desistir? Creio que não. Para os que estão ficando confusos vamos clarear a mente. Ou esclarecer o que nem estava registrado. Hoje foi meu útimo dia de aulas com uma professora específica minha e de uma sala inteira e porque seria específica? Bem, ela esteve presente nos nums piores momentos de minha vida, um dos mais frustante e um dos mais triste; Deu-me apoio na medida do possível através de sua própria disciplina, além do seu comportamente verdadeiramente humano. Mas ela terá que ir, e será substituída e eu me pergunto: Será sempre que ser assim?
É necessário que aja uma quebra de apego para que você possa seguir adiante? Fico com minhas dúvidas e com meus anseios. Guardo e aguardo.
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Pronuncia: Anderuson |
Jornal O Globo
PROSA & VERSO
Publicado em 14 de fevereiro de 2004 Versão impressa
Affonso Romano de Sant'anna
santanna@novanet.com.br
E só Carolina não viu
A ginasiana morena estava com seus colegas nas primeiras filas do amplo
auditório da UFPE, para a abertura da reunião da SBPC, no Recife. Vejo nas
suas mãos um jornal tablóide. Na última página um artigo sobre a revolução e
Engels. Aproximou-se de mim, ali também sentado, e disse:
— Quer comprar nosso jornal?
Disse-lhe com certo cuidado, tentando não feri-la:
— Posso te dar o dinheiro do jornal para ajudar, mas não preciso levá-lo.
— Por quê?! (Fazendo uma cara curiosa).
Com certo jeito simpático, comentei:
— Porque já sei o que tem aí dentro.
Ela, retomando o clima cordial, resolveu, então, testar-me. Abriu numa das
páginas e desafiou-me:
— Então me diga o que está escrito na página oito?
— Está escrito que a revolução é inevitável e que temos que enfrentar a
burguesia reacionária que controla os meios de produção e espolia a classe
trabalhadora.
Olhou-me espantada.
Mas continuou a tentativa de catequese. Ela emitia organizadamente o mesmo
discurso que minha geração ouvia e fazia nos anos 60, que outras vinham
fazendo há 150 anos.
E como ela continuasse, no mesmo tom amigo e civilizado, seguimos
conversando. Ela queria saber por que não eu acreditava ou não concordava
com aquelas idéias.
— Porque não deram certo — afirmei.
— Como?
— Não deram certo lá fora nem aqui dentro.
Diante de sua perplexidade, tive que ser biograficamente mais pedagógico.
— Vou lhe fazer uma revelação. Eu vi o comunismo acabar. E diante de seus
olhos estatelados, repeti: — Com esses olhos que a terra há de comer, eu vi
o comunismo acabar. Eu estava em Moscou em 1991 no dia em que o comunismo
acabou. Estava a 50 metros do Kremlin, num hotel, e depois por uns dez dias
fui para a rua, para as barricadas, ver os dez dias que abalaram de novo o
mundo. Entrei no Kremlin para uma recepção e Gorbatchov estava preso na
Criméia.
E fui-lhe dando alguns outros detalhes do que narrei no livro escrito com
Marina Colasanti — “Agosto 1991: estávamos em Moscou” (ed. Melhoramentos).
Com o indispensável e sofrido humor, apontei-lhe o poeta Otávio Cabral, ao
meu lado, com uma cara de guerrilheiro ou quase, dizendo:
-— Ele pode confirmar essas coisas, também andou metido em política desde os
anos 60.
Motivado, Otávio começou a lembrar à jovem que o Muro de Berlim já havia
caído, que muita coisa havia mudado, etc. De repente, como último recurso,
talvez, ela enfiou na conversa Cuba e Fidel Castro. Falou do bloqueio
americano, etc.
Assim, eu que dissera que havia visto em pessoa os despojos do que era o
regime soviético, acrescentei:
— Também estive na China e vi com esses olhos que a terra há de comer e vou
lhe confessar outra coisa: também estive em Cuba.
E lhe falava do que havia de positivo e negativo por ali.
Essa coisa de já ter vivido um pouco, para o bem ou para o mal, resulta
naquilo que Camões chamava de “saber de experiência feito”. Sugeri à
adolescente que lesse alguns dos livros que os ex-guerrilheiros brasileiros
de ontem escreveram: “O que é isso, companheiro”(Fernando Gabeira), “Os
carbonários” (Alfredo Sirkis), “Memórias do esquecimento” (Flávio Tavares).
Não é possível que tanto sonho e sofrimento não tenham, pedagogicamente,
servido para nada. Ao mesmo tempo, lembrando os tempos cruéis da ditadura,
pensava que eram meninas assim com essa generosidade obtusa e comovente que
caíam nas mãos dos torturadores ou eram abatidas nas vielas ou guerrilhas.
No avião para o Recife, para essa reunião de quase dez mil professores e
estudantes e onde fui falar para um auditório superlotado, sobre as falácias
da chamada modernidade e pós-modernidade e a urgência de se reinventar a
arte depois de Duchamp, no avião, repito, vinha conversando com José
Monserrat, que viveu na Rússia no tempo da Universidade Lumumba (para a qual
foram tantos companheiros de geração). Ele conheceu a Rússia de Kruschev e
Brejnev. E tem voltado lá hoje, mas como especialista em assuntos
aeroespaciais.
No avião, vínhamos conversando sobre nossa geração. Parecia mesmo cena de
“Invasões bárbaras”: repassar os sonhos e pesadelos e ver o que restou nas
mãos. E agora estava diante da ginasiana que meigamente quer fazer a
revolução aos moldes de antanho.
Impossível não me lembrar de que há uns 40 anos, em 1963, estava no Recife
pela primeira vez num grande encontro do Movimento de Cultura Popular (MCP)
do qual participava a UNE. Estava todo mundo lá. Todos os que acreditavam no
“novo homem”. Todos os que queriam revolucionar este país. Era o tempo dos
“Cadernos do povo” que o Ênio Silveira editava; tempo de Paulo Freire e seu
método de alfabetização conscientizadora; de Julião e as ligas camponesas e
de Arraes no governo. Lembro-me do Vianinha e do Leon Hirszman entre tantos
ali. Maracatus, alfabetização, teatro de rua, poesia popular, amor, sexo e
revolução. E bota feromônio nisto.
Pois, enquanto a ginasiana conversava comigo, o auditório da UFPE ia se
enchendo de público. E entra uma fila de senhores engravatados — as
autoridades — umas 15 pessoas, reitores, secretários, professores, Enio
Candotti, que dirige a SBPC de maneira criativa, integrando o ensino
universitário ao ensino médio.
E eu disse à minha interlocutora:
— Está vendo aquele pessoal de gravata entrando? Você acha que são a
“burguesia”? Olha, ali tem muito ex-guerrilheiro, ex-comunista. Aliás, o
Palácio do Planalto está cheio de ex-guerrilheiros, daqueles que trocaram a
utopia inviável pelo sonho (ou pesadelo) possível.
E seguiu-se aquela discurseira tropical. No auditório, os estudantes alçavam
bandeiras reivindicatórias disto e daquilo. O novo ministro de Ciência e
Tecnologia, Eduardo Campos, é dos últimos a falar. É neto de Miguel Arraes.
Meu Deus! O tempo andou passando. Refere-se, com simpatia, aos jovens que
ali estão se manifestando, lembrando que há alguns anos era ele quem estava
ali fazendo os mesmos protestos. Onde estarão, daqui a 40 anos, os jovens
que hoje protestam? O que terão visto, aprendido e herdado para os pósteros?
Meu Deus! O tempo andou passando. E só Carolina não viu
PROSA & VERSO
Publicado em 14 de fevereiro de 2004 Versão impressa
Affonso Romano de Sant'anna
santanna@novanet.com.br
E só Carolina não viu
A ginasiana morena estava com seus colegas nas primeiras filas do amplo
auditório da UFPE, para a abertura da reunião da SBPC, no Recife. Vejo nas
suas mãos um jornal tablóide. Na última página um artigo sobre a revolução e
Engels. Aproximou-se de mim, ali também sentado, e disse:
— Quer comprar nosso jornal?
Disse-lhe com certo cuidado, tentando não feri-la:
— Posso te dar o dinheiro do jornal para ajudar, mas não preciso levá-lo.
— Por quê?! (Fazendo uma cara curiosa).
Com certo jeito simpático, comentei:
— Porque já sei o que tem aí dentro.
Ela, retomando o clima cordial, resolveu, então, testar-me. Abriu numa das
páginas e desafiou-me:
— Então me diga o que está escrito na página oito?
— Está escrito que a revolução é inevitável e que temos que enfrentar a
burguesia reacionária que controla os meios de produção e espolia a classe
trabalhadora.
Olhou-me espantada.
Mas continuou a tentativa de catequese. Ela emitia organizadamente o mesmo
discurso que minha geração ouvia e fazia nos anos 60, que outras vinham
fazendo há 150 anos.
E como ela continuasse, no mesmo tom amigo e civilizado, seguimos
conversando. Ela queria saber por que não eu acreditava ou não concordava
com aquelas idéias.
— Porque não deram certo — afirmei.
— Como?
— Não deram certo lá fora nem aqui dentro.
Diante de sua perplexidade, tive que ser biograficamente mais pedagógico.
— Vou lhe fazer uma revelação. Eu vi o comunismo acabar. E diante de seus
olhos estatelados, repeti: — Com esses olhos que a terra há de comer, eu vi
o comunismo acabar. Eu estava em Moscou em 1991 no dia em que o comunismo
acabou. Estava a 50 metros do Kremlin, num hotel, e depois por uns dez dias
fui para a rua, para as barricadas, ver os dez dias que abalaram de novo o
mundo. Entrei no Kremlin para uma recepção e Gorbatchov estava preso na
Criméia.
E fui-lhe dando alguns outros detalhes do que narrei no livro escrito com
Marina Colasanti — “Agosto 1991: estávamos em Moscou” (ed. Melhoramentos).
Com o indispensável e sofrido humor, apontei-lhe o poeta Otávio Cabral, ao
meu lado, com uma cara de guerrilheiro ou quase, dizendo:
-— Ele pode confirmar essas coisas, também andou metido em política desde os
anos 60.
Motivado, Otávio começou a lembrar à jovem que o Muro de Berlim já havia
caído, que muita coisa havia mudado, etc. De repente, como último recurso,
talvez, ela enfiou na conversa Cuba e Fidel Castro. Falou do bloqueio
americano, etc.
Assim, eu que dissera que havia visto em pessoa os despojos do que era o
regime soviético, acrescentei:
— Também estive na China e vi com esses olhos que a terra há de comer e vou
lhe confessar outra coisa: também estive em Cuba.
E lhe falava do que havia de positivo e negativo por ali.
Essa coisa de já ter vivido um pouco, para o bem ou para o mal, resulta
naquilo que Camões chamava de “saber de experiência feito”. Sugeri à
adolescente que lesse alguns dos livros que os ex-guerrilheiros brasileiros
de ontem escreveram: “O que é isso, companheiro”(Fernando Gabeira), “Os
carbonários” (Alfredo Sirkis), “Memórias do esquecimento” (Flávio Tavares).
Não é possível que tanto sonho e sofrimento não tenham, pedagogicamente,
servido para nada. Ao mesmo tempo, lembrando os tempos cruéis da ditadura,
pensava que eram meninas assim com essa generosidade obtusa e comovente que
caíam nas mãos dos torturadores ou eram abatidas nas vielas ou guerrilhas.
No avião para o Recife, para essa reunião de quase dez mil professores e
estudantes e onde fui falar para um auditório superlotado, sobre as falácias
da chamada modernidade e pós-modernidade e a urgência de se reinventar a
arte depois de Duchamp, no avião, repito, vinha conversando com José
Monserrat, que viveu na Rússia no tempo da Universidade Lumumba (para a qual
foram tantos companheiros de geração). Ele conheceu a Rússia de Kruschev e
Brejnev. E tem voltado lá hoje, mas como especialista em assuntos
aeroespaciais.
No avião, vínhamos conversando sobre nossa geração. Parecia mesmo cena de
“Invasões bárbaras”: repassar os sonhos e pesadelos e ver o que restou nas
mãos. E agora estava diante da ginasiana que meigamente quer fazer a
revolução aos moldes de antanho.
Impossível não me lembrar de que há uns 40 anos, em 1963, estava no Recife
pela primeira vez num grande encontro do Movimento de Cultura Popular (MCP)
do qual participava a UNE. Estava todo mundo lá. Todos os que acreditavam no
“novo homem”. Todos os que queriam revolucionar este país. Era o tempo dos
“Cadernos do povo” que o Ênio Silveira editava; tempo de Paulo Freire e seu
método de alfabetização conscientizadora; de Julião e as ligas camponesas e
de Arraes no governo. Lembro-me do Vianinha e do Leon Hirszman entre tantos
ali. Maracatus, alfabetização, teatro de rua, poesia popular, amor, sexo e
revolução. E bota feromônio nisto.
Pois, enquanto a ginasiana conversava comigo, o auditório da UFPE ia se
enchendo de público. E entra uma fila de senhores engravatados — as
autoridades — umas 15 pessoas, reitores, secretários, professores, Enio
Candotti, que dirige a SBPC de maneira criativa, integrando o ensino
universitário ao ensino médio.
E eu disse à minha interlocutora:
— Está vendo aquele pessoal de gravata entrando? Você acha que são a
“burguesia”? Olha, ali tem muito ex-guerrilheiro, ex-comunista. Aliás, o
Palácio do Planalto está cheio de ex-guerrilheiros, daqueles que trocaram a
utopia inviável pelo sonho (ou pesadelo) possível.
E seguiu-se aquela discurseira tropical. No auditório, os estudantes alçavam
bandeiras reivindicatórias disto e daquilo. O novo ministro de Ciência e
Tecnologia, Eduardo Campos, é dos últimos a falar. É neto de Miguel Arraes.
Meu Deus! O tempo andou passando. Refere-se, com simpatia, aos jovens que
ali estão se manifestando, lembrando que há alguns anos era ele quem estava
ali fazendo os mesmos protestos. Onde estarão, daqui a 40 anos, os jovens
que hoje protestam? O que terão visto, aprendido e herdado para os pósteros?
Meu Deus! O tempo andou passando. E só Carolina não viu
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Pronuncia: Anderuson |
Quinta-feira, Fevereiro 12, 2004
A arte educa? Ela pode transformar ou direcionar um ser para alguma direção que possa fazer diferença em seus momentos mudandos? Estranho, somos obrigados a entender como podemos melhorar nossos caminhos trilhados com o conhecimento de trabalhos artísticos antigos e conteporâneos, e que assim podemos fazer a mesma coisa. Posso ver em qualquer olhar dúvidas quanto a essa verdade divulgada nos meios científicos. Seria a educação que traz a felicidade? E a arte, por estar no ato exteriorizante de situações armazenadas em seu íntimo mais cobertos pelas mantas de seus segredos seria essa felicidade por estar me "limpando"? Se na arte eu transfiro minhas dores (e alegrias. e.., e...) para outro material , então estou educando por esses meio? Não compreendo. É fácil transformar em dogmas verdades mal compreendidas como os livros de artes e filosofias constumam ser. Se eu falo uma linguagem mais difícil e nesse meu emaranhado de símbolos e códigos você não compreende, a culpa tem que ser sua por não se adaptar a minha idéia divulgada. Louco pensamento mais xeno. Será xeno-arte então?! No final a educação não traz felicidade, nem a arte, apenas facilita o caminho de acesso. Mas para ter acesso a educação é preciso passar por egos inflamados e inflamáveis. O-oh, acho que temos um " pequeno problema"!!!
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Pronuncia: Anderuson |
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
A liberdade é uma coisa palpável? Ela é desejada, admirada, declamada das formas mais variadas possíveis e impossíveis; Mas ela existe? Ela, a Dona liberdade (não Miss Liberty, mas a outra encarnada nessa imagem) parece ser um conjunto de sentimentos prestes a explodir de formas tão intensas quanto um salvo conduto da felicidade; Mas essa outra também existe? Em qual prateleira eu posso encontrar essas mercadorias tão almejadas?
Os pequenos momentos são tão repletos de verdades que somos capazes de amar e odiar as mesmas coisas em intervalos de apenas...segundos! A minha liberdade está em encontrar essas felicidades nesses segundos flamejantes, de forma que eu possa gritar: "Sou feliiiiz!!!". E depois me sentir triste o suficiente por não ter qualquer recurso que seja para prolongar o momento: "eu sou demais". Por exemplo, no sexo temos momentos, situações que deparamos, escondemos, expomos, momentos curtos e momentos longos, mas sempre eles nos fornecendo o engodo da felicidade livre e descompromissada, repleta de culpas e esquecimentos. Não importa se eu pago (o poder!), se eu adquiro de forma livre (a liberdade), se eu busco o proibido (a felicidade!), se eu me escondo, se eu me mostro. Importa apenas o gozo, literalmente ou não, dos momentos desfrutados. O sexo é possível encontrar em qualquer prateleira como a maioria dos brinquedos que podem dar prazer (dinheiro, jóias, auto, ...), mas nenhum deles está acessível para todos que os querem. É a liberdade podada, limitada, escolhida. É minha? É sua? Mercadorias desejadas, invejadas, buscadas e quando adquiridas são utilizadas com uma gulodice tal que enjoa. E largamos de lado e buscamos outros briquedos, desejos. Viramos a esquina e observamos. Depois lamentamos não termos liberdade de escolha, de não sermos felizes. Culpamos o próximo. Culpamos a nós mesmo. Culpamos a droga do bonde que passou e não esperou. Não há transporte, não há prateleira, não há nada enquanto não entendermos de uma só vez que tudo que há existe e não existe em nossa mente. Ok, Neo?
Os pequenos momentos são tão repletos de verdades que somos capazes de amar e odiar as mesmas coisas em intervalos de apenas...segundos! A minha liberdade está em encontrar essas felicidades nesses segundos flamejantes, de forma que eu possa gritar: "Sou feliiiiz!!!". E depois me sentir triste o suficiente por não ter qualquer recurso que seja para prolongar o momento: "eu sou demais". Por exemplo, no sexo temos momentos, situações que deparamos, escondemos, expomos, momentos curtos e momentos longos, mas sempre eles nos fornecendo o engodo da felicidade livre e descompromissada, repleta de culpas e esquecimentos. Não importa se eu pago (o poder!), se eu adquiro de forma livre (a liberdade), se eu busco o proibido (a felicidade!), se eu me escondo, se eu me mostro. Importa apenas o gozo, literalmente ou não, dos momentos desfrutados. O sexo é possível encontrar em qualquer prateleira como a maioria dos brinquedos que podem dar prazer (dinheiro, jóias, auto, ...), mas nenhum deles está acessível para todos que os querem. É a liberdade podada, limitada, escolhida. É minha? É sua? Mercadorias desejadas, invejadas, buscadas e quando adquiridas são utilizadas com uma gulodice tal que enjoa. E largamos de lado e buscamos outros briquedos, desejos. Viramos a esquina e observamos. Depois lamentamos não termos liberdade de escolha, de não sermos felizes. Culpamos o próximo. Culpamos a nós mesmo. Culpamos a droga do bonde que passou e não esperou. Não há transporte, não há prateleira, não há nada enquanto não entendermos de uma só vez que tudo que há existe e não existe em nossa mente. Ok, Neo?
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Pronuncia: Anderuson |
Terça-feira, Fevereiro 10, 2004
Engraçado. Ficamos sempre pensando em outrém, procurando, catando, tentando. Queremos um pouco de cada um e um montão de alguns, queremos nos doar e não entendemos como.
Depois de um turbilhão emocional eu volto a circular por aí, observando, inicialmente observando. Até que acho que achei. Sabe aquela sensação deja´vu que temos com algumas ocasiões. Acho que estou passando por uma assim. Mas me montraram que eu estou numa selva de buscas e conquistas e decepções e magoações e e e...
Eu te fiz algo? Não importa, realmente não importa a niguém ou a poucos. Meus sentimentos são meus, e eles estão confusos. estou numa busca desenfreada de sexo? Mais ou menos! Estou numa busca como todos estão e sexo é tão bom, mas meu terreno é meu terreno só que eu não sei proteger. As pessoas não são meus objetos para eu fazer meu "xixizinho" marcando minha área, mas acho que um pouco de respeito é o mínimo. É uma pena, será que as pessoas estão desesperadas pelas conquistas dos outros. Novidade, isso já tem nome e endereço fixo, mas deixe pra lá.
Depois de um turbilhão emocional eu volto a circular por aí, observando, inicialmente observando. Até que acho que achei. Sabe aquela sensação deja´vu que temos com algumas ocasiões. Acho que estou passando por uma assim. Mas me montraram que eu estou numa selva de buscas e conquistas e decepções e magoações e e e...
Eu te fiz algo? Não importa, realmente não importa a niguém ou a poucos. Meus sentimentos são meus, e eles estão confusos. estou numa busca desenfreada de sexo? Mais ou menos! Estou numa busca como todos estão e sexo é tão bom, mas meu terreno é meu terreno só que eu não sei proteger. As pessoas não são meus objetos para eu fazer meu "xixizinho" marcando minha área, mas acho que um pouco de respeito é o mínimo. É uma pena, será que as pessoas estão desesperadas pelas conquistas dos outros. Novidade, isso já tem nome e endereço fixo, mas deixe pra lá.
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Pronuncia: Anderuson |
Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
Vamos continuar que eh assim mesmo. Tow com coisa pra caramba pra estudar e no meio da net acho esse saite qui iscrevi em ???? japones? algo assim.
Eu vou, mas volto jah!
Eu vou, mas volto jah!
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Pronuncia: Anderuson |
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
Para todos que estiveram comigo, fisica ou mentalmente, obrigado pelas palavras e pelo carinho. Mas não estou bem. Está doendo muito, embora tem momentos que simplesmente esqueço e prossigo. Como queria que esses momentos se prologassem, ou que tudo não passasse de um pesadelo. Mas é a realidade e é doído perceber que a porta não vai mais abrir tarde, os cachorros não vão fazer aquela festa, que o ronco não vai ser ouvido, que a grama não vai ser cuidada, nem as flores, não por ele. É difícil entender. É difícil compreender a situação real. Como estar com uma pessoa e num momento pro outro ela não existir mais? Por favor, sem demagogias nos meu ouvidos que a vida continua, que é assim mesmo e que estará para sempre no meu coração. Palavras não são entendidas pelos hormônios que controlam a dor e as lembranças. A cabeça é o apatrecho que mais dignifica e destrói uma pessoa. Basta estar só, basta sair na rua e ver os olhares, basta os telefonemas, basta coisas simples: o café, a cocada, o cuzuz, o sabiá, a rede,... nossa como dói.
Portanto, quero que vocês saibam que vai ser um pouco difícil de me aturar. Vou ficar isolado e desligado, vou evitar os toques e as conversas. Vou conversar mais com uns do que com outros. Saibam que não menosprezo mais uns do que os outros, embora isso possa acontecer, mas estou tentando continuar, tentando fazer com o processo seja menos doloroso para mim, para meus familiares. Tentando não entrar em conflito com meus irmãos, estamos muitos frágeis e caminhando porque o mundo não pára, e não se importa muito como os humanos são construídos. Há pessoas terríveis, há pessoas insanas. Portanto, obrigado, mas não quero que se sintam magoado comigos. Não quero atenção em dobro, nem carinho em excesso.
Andy.
Portanto, quero que vocês saibam que vai ser um pouco difícil de me aturar. Vou ficar isolado e desligado, vou evitar os toques e as conversas. Vou conversar mais com uns do que com outros. Saibam que não menosprezo mais uns do que os outros, embora isso possa acontecer, mas estou tentando continuar, tentando fazer com o processo seja menos doloroso para mim, para meus familiares. Tentando não entrar em conflito com meus irmãos, estamos muitos frágeis e caminhando porque o mundo não pára, e não se importa muito como os humanos são construídos. Há pessoas terríveis, há pessoas insanas. Portanto, obrigado, mas não quero que se sintam magoado comigos. Não quero atenção em dobro, nem carinho em excesso.
Andy.




